Pelo que li vai tirar 0,3% de indicadores mensais dos EUA,
tipo industrial product e retail, no mês de outubro. Daí teria um payback igual
durante os meses de novembro e dezembro. O PIB do quarto tri ficaria inalterado.
Se ajudar o Obama está valendo.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
alan Greenspan e seu escudeiro, o antonio madeira
meu colega antonio madeira acha o alan um deus; eu acho que ele (o alan, nao o madeira) está mais para o diabo.
o alan reagiu rápido em 1987, e em 1998 montou aquele arranjo lá com os bancos privados para não "quebrar geral" depois do LTCM. eu concedo que nesses dois episódios ele foi bem.
mas o legado de longo prazo dele é outro. ele presidiu o FED, e portanto foi um importante influenciador de para onde a política de regulamentação financeira caminhou, durante um longo período. e como poucos hoje contestam, a regulacao caminhou para a merda...
o antonio madeira argumenta que o alan não aprova lei, quem aprova é o congresso, que ele (o alan, nao o madeira) nao tem nada a ver com isso. é verdade que o alan nao aprova lei, como até o asfalto da paulista sabe. mas o alan foi formador de ideias, e afirmava de pé junto que os novos derivativos que foram surgindo debaixo do nariz dele aumentavam a eficiência do sistema, ajudavam a minimizar riscos !!! hoje parece risível essa afirmacao, mas ele e o madeira não se dão por vencidos não.
o antonio madeira coloca a culpa no governo, como bom austríaco que é. na verdade, ele encampa a tese do rajan, de que o governo forçou as irmãs a emprestarem muito para os pobres porque ele, o governo, nao vinha conseguindo debelar a crescente desigualdade de renda com politicas mais inteligentes de longo prazo. credito e circo para apaziguar os pobres, eh o resumo dessa historia. aí, claro, deu em merda, porque muito credito foi alocado para quem nao poderia pagar.
mas os bancos PRIVADOS entraram nessa antes das irmãs, madeira. e meteram o pé também. e o governo não manda neles, eles nao fizeram para ajudar os pobres, caro madeira, caro alan. por que eles fizeram isso, por que se alavancaram pra cacete? para ganhar mais na conta de que se desse merda a sociedade bancaria a conta (moral hazard).
por que o FED nao fez nada? ah, o madeira responde: porque ele nao tinha mandato para interferir em todos os "bancos". ué, por que entao o alan nao reclamava disso veementemente? o alan depois de sair de lá confessou que ficou surpreso com o fato de os bancos privados nao administrarem melhor seus proprios riscos...ou seja, ele confiava nisso. isso prova seu despreparo intelectual. tem uma coisa em economia que chama problema de agente-principal, alan. o principal eh o acionista do banco, esse nao quer mesmo que a instituicao tome muito risco; mas o agente dele, que toca o dia-a-dia tem incentivos diferentes (madeira, tem um amigao seu que gosta muito da frase "people respond to incentives") e nao esta muito preocupado com o longo prazo da instituicao porque o bonus dele eh funcao de resultados imediatos. o alan nao compreendia esses incentivos perversos? ele nao sabe que a um problema de acao coletiva que dificulta a acao dos acionistas e entao eh importante pra cacete o governo regular essa porra?
por fim, um dos principais argumentos levantados pelo antonio madeira para elogiar o alan eh que ele presidiu a politica monetaria numa epoca de baixa volatilidade e forte crescimento. eu nao acho que esses anos bons foram por causa do alan. nesses anos que ele estava lá, a produtividade da economia norte-americana deu um show de bola, na area da tecnologia da inovacao. a tfp bombou, por conta de coisas que nao tem nada a ver com politica monetaria. a volatilidade caiu tambem por um tempo, eh verdade, mas qual o periodo que devo considerar? para quem acha que o alan (e outros coleguinhas ditos liberais que parecem que nao estudaram micro direito) ajudou a armar a bomba relogio pos-2008, é preciso incluir o período recente na contabilidade da "gestao alan"...nao fica bem na foto nao, posso garantir
"alan greenspan, o maestro desafinado e inconsequente" ---- vou escrever um livro, acho.
antonio, topas uma co-autoria?
o alan reagiu rápido em 1987, e em 1998 montou aquele arranjo lá com os bancos privados para não "quebrar geral" depois do LTCM. eu concedo que nesses dois episódios ele foi bem.
mas o legado de longo prazo dele é outro. ele presidiu o FED, e portanto foi um importante influenciador de para onde a política de regulamentação financeira caminhou, durante um longo período. e como poucos hoje contestam, a regulacao caminhou para a merda...
o antonio madeira argumenta que o alan não aprova lei, quem aprova é o congresso, que ele (o alan, nao o madeira) nao tem nada a ver com isso. é verdade que o alan nao aprova lei, como até o asfalto da paulista sabe. mas o alan foi formador de ideias, e afirmava de pé junto que os novos derivativos que foram surgindo debaixo do nariz dele aumentavam a eficiência do sistema, ajudavam a minimizar riscos !!! hoje parece risível essa afirmacao, mas ele e o madeira não se dão por vencidos não.
o antonio madeira coloca a culpa no governo, como bom austríaco que é. na verdade, ele encampa a tese do rajan, de que o governo forçou as irmãs a emprestarem muito para os pobres porque ele, o governo, nao vinha conseguindo debelar a crescente desigualdade de renda com politicas mais inteligentes de longo prazo. credito e circo para apaziguar os pobres, eh o resumo dessa historia. aí, claro, deu em merda, porque muito credito foi alocado para quem nao poderia pagar.
mas os bancos PRIVADOS entraram nessa antes das irmãs, madeira. e meteram o pé também. e o governo não manda neles, eles nao fizeram para ajudar os pobres, caro madeira, caro alan. por que eles fizeram isso, por que se alavancaram pra cacete? para ganhar mais na conta de que se desse merda a sociedade bancaria a conta (moral hazard).
por que o FED nao fez nada? ah, o madeira responde: porque ele nao tinha mandato para interferir em todos os "bancos". ué, por que entao o alan nao reclamava disso veementemente? o alan depois de sair de lá confessou que ficou surpreso com o fato de os bancos privados nao administrarem melhor seus proprios riscos...ou seja, ele confiava nisso. isso prova seu despreparo intelectual. tem uma coisa em economia que chama problema de agente-principal, alan. o principal eh o acionista do banco, esse nao quer mesmo que a instituicao tome muito risco; mas o agente dele, que toca o dia-a-dia tem incentivos diferentes (madeira, tem um amigao seu que gosta muito da frase "people respond to incentives") e nao esta muito preocupado com o longo prazo da instituicao porque o bonus dele eh funcao de resultados imediatos. o alan nao compreendia esses incentivos perversos? ele nao sabe que a um problema de acao coletiva que dificulta a acao dos acionistas e entao eh importante pra cacete o governo regular essa porra?
por fim, um dos principais argumentos levantados pelo antonio madeira para elogiar o alan eh que ele presidiu a politica monetaria numa epoca de baixa volatilidade e forte crescimento. eu nao acho que esses anos bons foram por causa do alan. nesses anos que ele estava lá, a produtividade da economia norte-americana deu um show de bola, na area da tecnologia da inovacao. a tfp bombou, por conta de coisas que nao tem nada a ver com politica monetaria. a volatilidade caiu tambem por um tempo, eh verdade, mas qual o periodo que devo considerar? para quem acha que o alan (e outros coleguinhas ditos liberais que parecem que nao estudaram micro direito) ajudou a armar a bomba relogio pos-2008, é preciso incluir o período recente na contabilidade da "gestao alan"...nao fica bem na foto nao, posso garantir
"alan greenspan, o maestro desafinado e inconsequente" ---- vou escrever um livro, acho.
antonio, topas uma co-autoria?
POF no IPCA
O Daniel me aponta que parte do efeito da POF sobre o IPCA foi devido à mudança de peso dos automóveis, que variou muito esse ano. De acordo com as contas do Chiquinho isso explica uns 0,3. O resto foi mesmo um efeito permanente, da troca de um item que tem sempre inflação alta (educação) por outro com inflação sempre baixa (duráveis?).
Pegando a deixa do Tobas fui conferir a metodologia do IPCA. De fato, embora a agregação de produtos em subitens seja geométrica, a de subitens em itens é aritmética, e sofre do efeito típico de Laysperes: Conforme banana fica mais cara o indivíduo come ainda mais banana.
Pegando a deixa do Tobas fui conferir a metodologia do IPCA. De fato, embora a agregação de produtos em subitens seja geométrica, a de subitens em itens é aritmética, e sofre do efeito típico de Laysperes: Conforme banana fica mais cara o indivíduo come ainda mais banana.
Para conferir, fiz o caso de um sujeito que consome dois
bens, bananas e merda, com pesos inicialmente iguais na cesta. A banana tem
inflação anual de 3,5%, a merda de 5,5%. Em vez de dar sempre 4,5%, a inflação
vai subindo com o tempo, devido à metodologia. No gráfico, a diferença acumulada das duas medidas,
convexa como o esperado, para ser comparado com o do post anterior.
Mais relevante, note-se que a inflação vai subindo, conforme
se afasta temporalmente da revisão da POF.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Controle fiscal do IPCA - II
Antes de começar a mostrar respostas impulso, do jeito que o
Madeira quer, eu perguntei para o Chico como foi 2012. Se entendi, e fiz a
contas mais ou menos corretamente, o efeito da redução do IPI sobre linha
branca e sobre automóveis tirou uns 0,1% e 0,4% da inflação, respectivamente. Assim,
em 2012, o IPCA seria 0,5% a mais do que será, devido às renúncias fiscais. E o
superávit primário uns 0,6% a menos, ou algo assim.
Teve também a mudança da POF que já tirou 0,7%, mas isso não conta. (Somando
tudo, seria suficiente para tirar a inflação da banda.)
Surpreso com o efeito da POF eu fiz o gráfico abaixo,
novamente com a ajuda do Chiquinho, que mostra o efeito acumulado da mudança,
desde fev/2009. (Para antes de dez/2011 o Chico calculou o IPCA retroativo
com a nova POF; para depois de jan/2012 recalculou o IPCA com a POF antiga.
Daí, eu fiz a diferença entre o IPCA obtido com as POFs velha e nova.)
Curiosa essa tendência. Alguém sabe o porquê? Trata-se da correção do Laysperes que, com o passar do tempo, acaba dando mais peso para os produtos com maior inflação?
Curiosa essa tendência. Alguém sabe o porquê? Trata-se da correção do Laysperes que, com o passar do tempo, acaba dando mais peso para os produtos com maior inflação?
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Morri de novo...
Veio um cara encapuzado aqui no inferno, usando suspensórios, e meteu uma bala na minha testa, falando que eu não podia criticar pessoas do governo. Eu achei que não ia acontecer nada comigo, pois já fui assassinado uma vez e vivi. Mas minha cabeça começou a doer e a sangrar. A bala do cara era de prata, como me informou o diabo...
Melhor desistir de tentar ajudar o país e ir rodar um VAR bayesiano.
Adeus
Melhor desistir de tentar ajudar o país e ir rodar um VAR bayesiano.
Adeus
Censura
Caro economista X,
Eu, que sou o único com cabeça nessa porcaria, decidi censurar alguns de seus blogs. A partir de agora os blogs do senhor estão sujeito a minha aprovação.
Aproveito o ensejo para reiterar os meus protestos da mais elevada estima e incontida admiração,
FK
Eu, que sou o único com cabeça nessa porcaria, decidi censurar alguns de seus blogs. A partir de agora os blogs do senhor estão sujeito a minha aprovação.
Aproveito o ensejo para reiterar os meus protestos da mais elevada estima e incontida admiração,
FK
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Controle Fiscal do IPCA
A pergunta é: por quanto tempo o Governo consegue segurar o
IPCA através de renúncias fiscais?
A resposta tem que considerar os diferentes canais de
impacto das renúncias sobre a inflação (o direto e o fiscal), e a
sustentabilidade da dívida. Acho que vai dar uns 5 posts. Eu começo com a
relação estática entre impacto no IPCA (direto, i.e., peso no índice) e fiscal.
Na tabela (chupei algumas informações do Itaú), coloco o
efeito sobre o superávit primário (em % do PIB) para que o IPCA seja reduzido
em 1%:
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