sexta-feira, 28 de setembro de 2012
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Será que a Alemanha vai vazar?
Ouvi uma vez o argumento de que os créditos contabilizados no sistema de compensação europeu (TARGET2) eram um óbice à eventual decisão de saída da Alemanha (e de seus irmãos ricos, Finlândia, Luxemburgo e Holanda).
Os créditos monstruosos - coisa da ordem de 35% do PIB no caso da Alemanha - indicavam a imbricação entre "ricos" e "pobres" e mais do que ultrapassavam o ponto a partir do qual dívidas tornam-se problemas dos credores.
Sujeito simples que sou, aceitei imediatamente algo que me soava bastante intuitivo (também testemunhei gente mais inteligente do que eu caindo na armadilha). Errei mais uma vez.
O economista Paul De Grauwe e uma colega mostraram de forma simples e cristalina que o tamanho do problema do ponto de vista dos ricos é bem menor do que os créditos no TARGET2 (na verdade, o problema equivale "apenas" ao superávit em transações correntes acumulado - tenho um pouco de vergonha de ter que escrever esta obviedade).
Parênteses: tinha a intenção de reproduzir ipsis litteris o argumento n'O Consciência no início da semana mas descobri ontem que o Martin Wolf fez o serviço.
A ideia é banal: basta o Bundesbank converter Euros em Marcos apenas aos residentes alemães (talvez aos alemães não residentes também). Desse modo, por exemplo, um espanhol que depositou dinheiro em um banco alemão transformando-se em especulador com taxas de câmbio receberia no final o saldo em Euros (que, justamente, deveriam ser trocados por Pesetas).
A partir daí é muito simples concluir que a fragilidade da posição alemã é proporcional apenas à disposição do país em exportar liquidamente BMWs e afins - coisa que depende só da própria alemanha e que ela curte fazer apesar de ver os vizinhos destroçados.
Muito bem. Dá para concluir daí que a saída da Alemanha não é tão difícil como parece. E, a julgar pela atmosfera na Espanha, parece que o cenário está cada vez mais próximo.
Mas também dá para olhar o negócio sob o prisma Velhinha de Taubaté: se a Angela Merkel imprimir milhões de versões do texto do Paul De Grauwe e mandar um helicóptero distribuir na periferia pode ser que os fluxos especulativos diminuam e até que o público fique mais tranquilo na própria Alemanha, aumentando a chance de tudo dar certo.
É mole?
Os créditos monstruosos - coisa da ordem de 35% do PIB no caso da Alemanha - indicavam a imbricação entre "ricos" e "pobres" e mais do que ultrapassavam o ponto a partir do qual dívidas tornam-se problemas dos credores.
Sujeito simples que sou, aceitei imediatamente algo que me soava bastante intuitivo (também testemunhei gente mais inteligente do que eu caindo na armadilha). Errei mais uma vez.
O economista Paul De Grauwe e uma colega mostraram de forma simples e cristalina que o tamanho do problema do ponto de vista dos ricos é bem menor do que os créditos no TARGET2 (na verdade, o problema equivale "apenas" ao superávit em transações correntes acumulado - tenho um pouco de vergonha de ter que escrever esta obviedade).
Parênteses: tinha a intenção de reproduzir ipsis litteris o argumento n'O Consciência no início da semana mas descobri ontem que o Martin Wolf fez o serviço.
A ideia é banal: basta o Bundesbank converter Euros em Marcos apenas aos residentes alemães (talvez aos alemães não residentes também). Desse modo, por exemplo, um espanhol que depositou dinheiro em um banco alemão transformando-se em especulador com taxas de câmbio receberia no final o saldo em Euros (que, justamente, deveriam ser trocados por Pesetas).
A partir daí é muito simples concluir que a fragilidade da posição alemã é proporcional apenas à disposição do país em exportar liquidamente BMWs e afins - coisa que depende só da própria alemanha e que ela curte fazer apesar de ver os vizinhos destroçados.
Muito bem. Dá para concluir daí que a saída da Alemanha não é tão difícil como parece. E, a julgar pela atmosfera na Espanha, parece que o cenário está cada vez mais próximo.
Mas também dá para olhar o negócio sob o prisma Velhinha de Taubaté: se a Angela Merkel imprimir milhões de versões do texto do Paul De Grauwe e mandar um helicóptero distribuir na periferia pode ser que os fluxos especulativos diminuam e até que o público fique mais tranquilo na própria Alemanha, aumentando a chance de tudo dar certo.
É mole?
Férias coletivas para o pessoal do COPOM?
Hoje saiu o RTI.
Segundo o BC, no cenário em que o juro fica em 7,5%, a inflação de 2013 é 4.9%
No cenário em que o juro sobe para quase 9%, ela fica em 4.8% em 2013.
Game over.
Dado esse estado de extrema tranquilidade da inflação e dada a insensibilidade da inflação aos juros, proponho férias coletivas para o pessoal do COPOM, afinal todos somos humanos.
Segundo o BC, no cenário em que o juro fica em 7,5%, a inflação de 2013 é 4.9%
No cenário em que o juro sobe para quase 9%, ela fica em 4.8% em 2013.
Game over.
Dado esse estado de extrema tranquilidade da inflação e dada a insensibilidade da inflação aos juros, proponho férias coletivas para o pessoal do COPOM, afinal todos somos humanos.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Você conhece alguém na Goldman, ou no Estadão?
Eu gosto de ler o Estadão, quando dá tempo.
Hoje no caderno de economia saiu um negócio totalmente errado. O assunto é a queda de 50% nas taxas dos cartões de crédito. Reproduzo: "Nas contas dos analistas da Goldman...Eles mostraram uma preocupação com o risco de uma seleção adversa, com atração de clientes problemáticos à procura de melhores condições de financiamento, o que pode elevar os custos de crédito" (pag.B5)
É O CONTRÁRIO, pai do Céu...
Quando o juro cai, a composição do pool de tomadores de recursos melhora, pois bons devedores que optavam por não pegar crédito a taxas mais altas, com juro menor sentem-se mais dispostos a tal. Assim, a qualidade média da carteira melhora e a inadimplência cai. É quando os juros sobem que ocorre a seleção adversa, pois os juros mais altos afastam os bons tomadores mas não os que planejam dar calote ou têm em mente investir o recurso em algo bem arriscado (taxa de retorno esperado elevada, mas altíssima variância).
Por favor, alguém faria o obséquio de comunicar isso aos repórteres do Estadão e ao pessoal da Goldman? Pode também recomendar a leitura de um livro de Introdução à Economia? Pode ser o meu livro de Introdução? Aí eu ganho uns dois reais por ter escrito esse post. Obrigado.
Hoje no caderno de economia saiu um negócio totalmente errado. O assunto é a queda de 50% nas taxas dos cartões de crédito. Reproduzo: "Nas contas dos analistas da Goldman...Eles mostraram uma preocupação com o risco de uma seleção adversa, com atração de clientes problemáticos à procura de melhores condições de financiamento, o que pode elevar os custos de crédito" (pag.B5)
É O CONTRÁRIO, pai do Céu...
Quando o juro cai, a composição do pool de tomadores de recursos melhora, pois bons devedores que optavam por não pegar crédito a taxas mais altas, com juro menor sentem-se mais dispostos a tal. Assim, a qualidade média da carteira melhora e a inadimplência cai. É quando os juros sobem que ocorre a seleção adversa, pois os juros mais altos afastam os bons tomadores mas não os que planejam dar calote ou têm em mente investir o recurso em algo bem arriscado (taxa de retorno esperado elevada, mas altíssima variância).
Por favor, alguém faria o obséquio de comunicar isso aos repórteres do Estadão e ao pessoal da Goldman? Pode também recomendar a leitura de um livro de Introdução à Economia? Pode ser o meu livro de Introdução? Aí eu ganho uns dois reais por ter escrito esse post. Obrigado.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
It's the stock, stupid !
Uma conversa outro dia sobre operações monetárias heterodoxas (kiwis)
-- a merda dessas operações é que quando o FED parar de comprar, vai ter um spike nas taxas, você vai ver!
-- não creio....que modelo você tem na cabeça pra dizer isso?
-- modelo, modelo, pára com essa bobagem de economista, é o fluxo que dá a taxa e ponto final!
-- por que então oscilações de déficit público não tem impacto discernível na taxa de juro paga pelo FED? Nenhum paper acha isso nos dados, lamento te informar.
-- paper, paper, se nao tá em paper então é errado?
-- well...
-- explica aí então essa teoria tua vai!
-- nao é minha, é do Tobin, um cara que ganhou o nobel. dado os fatores que afetam a decisao de alocação de portfolio, configuram-se as demandas de mercado por diferentes classes de ativos. agora, se o governo retira do mercado parte dos treasuries, por exemplo, a oferta desse bicho se reduz para um patamar menor. mesma demanda e menor oferta aumenta o preço, ou seja, caem os juros. então o fluxo é importante apenas na medida que ele impacta o estoque daquele tipo de ativo. se o governo simplesmente pára de comprar titulos adicionais, o estoque NÃO se reduz, a relação entre oferta e demanda se mantém e assim o juro não dispara. sacou?
-- entao a queda dos juros tampouco tem a ver com os "kiwis"?
-- os kiwis afetaram percepção de ruptura financeira e assim mudaram os parametros que determinam as demandas relativas pelos ativos, então eu não tiraria essa conclusão não. além disso, os kiwis foram tão expressivos que afetaram a oferta de treasuries de modo expressivo sim.
-- caramba, não to entendendo direito então..
-- vai ler o paper do Tobin e depois a gente conversa, ok?
-- tá bom, mas para com essa coisa de minúsculas, cacete, você não é o valter hugo mãe.
-- a merda dessas operações é que quando o FED parar de comprar, vai ter um spike nas taxas, você vai ver!
-- não creio....que modelo você tem na cabeça pra dizer isso?
-- modelo, modelo, pára com essa bobagem de economista, é o fluxo que dá a taxa e ponto final!
-- por que então oscilações de déficit público não tem impacto discernível na taxa de juro paga pelo FED? Nenhum paper acha isso nos dados, lamento te informar.
-- paper, paper, se nao tá em paper então é errado?
-- well...
-- explica aí então essa teoria tua vai!
-- nao é minha, é do Tobin, um cara que ganhou o nobel. dado os fatores que afetam a decisao de alocação de portfolio, configuram-se as demandas de mercado por diferentes classes de ativos. agora, se o governo retira do mercado parte dos treasuries, por exemplo, a oferta desse bicho se reduz para um patamar menor. mesma demanda e menor oferta aumenta o preço, ou seja, caem os juros. então o fluxo é importante apenas na medida que ele impacta o estoque daquele tipo de ativo. se o governo simplesmente pára de comprar titulos adicionais, o estoque NÃO se reduz, a relação entre oferta e demanda se mantém e assim o juro não dispara. sacou?
-- entao a queda dos juros tampouco tem a ver com os "kiwis"?
-- os kiwis afetaram percepção de ruptura financeira e assim mudaram os parametros que determinam as demandas relativas pelos ativos, então eu não tiraria essa conclusão não. além disso, os kiwis foram tão expressivos que afetaram a oferta de treasuries de modo expressivo sim.
-- caramba, não to entendendo direito então..
-- vai ler o paper do Tobin e depois a gente conversa, ok?
-- tá bom, mas para com essa coisa de minúsculas, cacete, você não é o valter hugo mãe.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Geografia
Mexico is the new China.
China is the new Russia.
Russia is the new Europe.
Europe is the new Japan.
Japan is the new…?
Japan is the new…?
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