quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Cavaleiro que quer tirar o Brasil das trevas



Não sou do ramo, mas a argumentação do Batman parece bem mais sólida que a do Coringa, não?









Será que a Alemanha vai vazar?

Ouvi uma vez o argumento de que os créditos contabilizados no sistema de compensação europeu (TARGET2) eram um óbice à eventual decisão de saída da Alemanha (e de seus irmãos ricos, Finlândia, Luxemburgo e Holanda). 

Os créditos monstruosos - coisa da ordem de 35% do PIB no caso da Alemanha - indicavam a imbricação entre "ricos" e "pobres" e mais do que ultrapassavam o ponto a partir do qual dívidas tornam-se problemas dos credores.

Sujeito simples que sou, aceitei imediatamente algo que me soava bastante intuitivo (também testemunhei gente mais inteligente do que eu caindo na armadilha). Errei mais uma vez. 

O economista Paul De Grauwe e uma colega mostraram de forma simples e cristalina que o tamanho do problema do ponto de vista dos ricos é bem menor do que os créditos no TARGET2 (na verdade, o problema equivale "apenas" ao superávit em transações correntes acumulado - tenho um pouco de vergonha de ter que escrever esta obviedade).

Parênteses: tinha a intenção de reproduzir ipsis litteris o argumento n'O Consciência no início da semana mas descobri ontem que o Martin Wolf fez o serviço.

A ideia é banal: basta o Bundesbank converter Euros em Marcos apenas aos residentes alemães (talvez aos alemães não residentes também). Desse modo, por exemplo, um espanhol que depositou dinheiro em um banco alemão transformando-se em especulador com taxas de câmbio receberia no final o saldo em Euros (que, justamente, deveriam ser trocados por Pesetas).

A partir daí é muito simples concluir que a fragilidade da posição alemã é proporcional apenas à disposição do país em exportar liquidamente BMWs e afins - coisa que depende só da própria alemanha e que ela curte fazer apesar de ver os vizinhos destroçados.

Muito bem. Dá para concluir daí que a saída da Alemanha não é tão difícil como parece. E, a julgar pela atmosfera na Espanha, parece que o cenário está cada vez mais próximo.

Mas também dá para olhar o negócio sob o prisma Velhinha de Taubaté: se a Angela Merkel imprimir milhões de versões do texto do Paul De Grauwe e mandar um helicóptero distribuir na periferia pode ser que os fluxos especulativos diminuam e até que o público fique mais tranquilo na própria Alemanha, aumentando a chance de tudo dar certo.

É mole?

Férias coletivas para o pessoal do COPOM?

Hoje saiu o RTI.

Segundo o BC, no cenário em que o juro fica em 7,5%, a inflação de 2013 é 4.9%

No cenário em que o juro sobe para quase 9%, ela fica em 4.8% em 2013.

Game over.

Dado esse estado de extrema tranquilidade da inflação e dada a insensibilidade da inflação aos juros, proponho férias coletivas para o pessoal do COPOM, afinal todos somos humanos.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Você conhece alguém na Goldman, ou no Estadão?

Eu gosto de ler o Estadão, quando dá tempo.

Hoje no caderno de economia saiu um negócio totalmente errado. O assunto é a queda de 50% nas taxas dos cartões de crédito. Reproduzo: "Nas contas dos analistas da Goldman...Eles mostraram uma preocupação com o risco de uma seleção adversa, com atração de clientes problemáticos à procura de melhores condições de financiamento, o que pode elevar os custos de crédito" (pag.B5)

É O CONTRÁRIO, pai do Céu...

Quando o juro cai, a composição do pool de tomadores de recursos melhora, pois bons devedores que optavam por não pegar crédito a taxas mais altas, com juro menor sentem-se mais dispostos a tal. Assim, a qualidade média da carteira melhora e a inadimplência cai. É quando os juros sobem que ocorre a seleção adversa, pois os juros mais altos afastam os bons tomadores mas não os que planejam dar calote ou têm em mente investir o recurso em algo bem arriscado (taxa de retorno esperado elevada, mas altíssima variância).

Por favor, alguém faria o obséquio de comunicar isso aos repórteres do Estadão e ao pessoal da Goldman? Pode também recomendar a leitura de um livro de Introdução à Economia? Pode ser o meu livro de Introdução? Aí eu ganho uns dois reais por ter escrito esse post. Obrigado.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

It's the stock, stupid !

Uma conversa outro dia sobre operações monetárias heterodoxas (kiwis)

-- a merda dessas operações é que quando o FED parar de comprar, vai ter um spike nas taxas, você vai ver!
-- não creio....que modelo você tem na cabeça pra dizer isso?
-- modelo, modelo, pára com essa bobagem de economista, é o fluxo que dá a taxa e ponto final!
-- por que então oscilações de déficit público não tem impacto discernível na taxa de juro paga pelo FED? Nenhum paper acha isso nos dados, lamento te informar.
-- paper, paper, se nao tá em paper então é errado?
-- well...
-- explica aí então essa teoria tua vai!
-- nao é minha, é do Tobin, um cara que ganhou o nobel. dado os fatores que afetam a decisao de alocação de portfolio, configuram-se as demandas de mercado por diferentes classes de ativos. agora, se o governo retira do mercado parte dos treasuries, por exemplo, a oferta desse bicho se reduz para um patamar menor.  mesma demanda e menor oferta aumenta o preço, ou seja, caem os juros. então o fluxo é importante apenas na medida que ele impacta o estoque daquele tipo de ativo. se o governo simplesmente pára de comprar titulos adicionais, o estoque NÃO se reduz, a relação entre oferta e demanda se mantém e assim o juro não dispara. sacou?
-- entao a queda dos juros tampouco tem a ver com os "kiwis"?
-- os kiwis afetaram percepção de ruptura financeira e assim mudaram os parametros que determinam as demandas relativas pelos ativos, então eu não tiraria essa conclusão não. além disso, os kiwis foram tão expressivos que afetaram a oferta de treasuries de modo expressivo sim.
-- caramba, não to entendendo direito então..
-- vai ler o paper do Tobin e depois a gente conversa, ok?
-- tá bom, mas para com essa coisa de minúsculas, cacete, você não é o valter hugo mãe.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Geografia


Mexico is the new China.
China is the new Russia.
Russia is the new Europe.
Europe is the new Japan.
Japan is the new…?