quinta-feira, 8 de novembro de 2012

OMT e Portugal

Continuo sem entender direito essa história de que o ECB não vai usar o OMT para ajudar Portugal e Irlanda, utilizando a desculpa furada de que para qualificar o país tem de ter “full and complete market access”. Eu compreendo a lógica de que o ESM não teria grana para ajudar Espanha e Itália, e que o OMT é a única alternativa para esses casos grandes.  Mas isso não é resposta.  Para que fosse, teríamos que incluir algo do tipo “os políticos preferem que um país receba ajuda do ESM, só aceitam o OMT quando não isso não é possível, e o ECB está sujeito a essas forças políticas”. Ainda não estou convencido disso.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Bolsa Caixa


Este é o novo programa Social do Governo, uma extensão do Bolsa Família, inspirado na idéia de Micro Crédito ou Micro Finanças. Ele já está sendo realizado em parceria com a Caixa, e tem suporte intelectual do BC.
A idéia é a seguinte. A Caixa limpa os balanços dos bancos privados, emprestando recursos para famílias que não tem a mínima condição de pagar. Depois, quando o calote vier, o Tesouro capitaliza a Caixa, e o jogo recomeça.
A carteira de crédito da Caixa está em 315 bi. Se colocarmos 13% de perda, para ficar redondo, o buraco fica em 40 bi, ou 1% do PIB, um valor fácil de ser absorvido. Um possível problema é fazer a Caixa emprestar de novo para as mesmas pessoas que acabaram de defaultar, para que o consumo não caia. Mas tenho certeza que isso será resolvido. 

Sandy e X


O economista X critica o professor FK, dizendo que a simulação do BLUES está errada porque o estoque de capital demora muito para se recuperar. Se me lembro do livro de crescimento do Barro, essa convergência demora mesmo uns 15 anos.

Eu acho que o pior foi a forma desrespeitosa do comentário. É importante respeitar os mais velhos. Aproveito para desejar um feliz aniversário para a minha mãe Sandra que está me lendo.

Equilíbrio

Fui convidado para equilibrar o blog. Diferente do Economista X, sou um sujeito equilibrado. Tenho equilíbrio. Sei até andar de bicicleta.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Sandy Redux


O pessoal está elevando as estimativas da destruição. A tabelinha é da Gordman, a qual diz que o efeito será tirar entre ¼ e ½ do crescimento do PIB no 2012:Q4, e adicionar um pouco mais do que isso no 2013:Q1.

Achei estranha essa ideia de que liquidamente adiciona PIB. Peguei do BLUES, tirei um pouco do capital produtivo e olhei convergência (na figura, ignore as escalas). O efeito principal é similar àquele já conhecido, tipicamente associado à política fiscal em modelos sem rigidez de preços: menor riqueza reduz lazer (que é um bem superior). Curiosamente, isso é suficiente para compensar a falta de capital, e faz o PIB aumentar. O investimento sobe bastante, o consumo cai, como esperado.

Se o BLUES estiver certo (um pleonasmo), as defasagens são importantes. O efeito, embora pequeno, vai durar alguns trimestres. 


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

OSI: o novo calote grego


A nova projeção para dívida grega é 190% do PIB, ou algo próximo disso. O Official Sector Involvement ocorreria através da compra de dívida em posse do ECB pelo valor de mercado atual, i.e., sem deixar o preço subir conforme a dívida é comprada.

O Nuno Sampaio estava me explicando que a ideia seria a Troica emprestar uma grana para a Grécia que estaria necessariamente vinculada a compra da dívida. O ECB veria por quanto ele comprou a dívida e a venderia por um centavo a mais. Dessa forma não estaria sofrendo prejuízo, e assim não estaria descumprindo seus estatutos.  Não sei qual o preço de hoje da dívida (aparentemente nem mercado ela tem) mas, digamos que seja 30% do valor de face. Dessa forma, após feita a operação, a Grécia não teria mais dívida, e ficaria devendo para a Troica somente 30% do valor da dívida original. Mágica. Com o superávit futuramente gerado, ela aos poucos pagaria a Troica.

Um ponto aparentemente contrário a operação é o fato do ECB não se aproveitar da subida de preço enquanto a dívida é comprada. Isto seria injusto com os donos do ECB – os países europeus. Mas esses países já haviam prometido devolver a Grécia os lucros provenientes dessa operação. Portanto, essa crítica não se aplica.

O verdadeiro ponto malandro da operação, que faz a mágica acontecer, é estocástico. Quando o ECB comprou a dívida grega com desconto, estava sendo remunerado pela possibilidade da Grécia defaultar. Mas quando a Troica a comprar (ou, equivalentemente, emprestar o grana), ela deixará de ser remunerada por essa possibilidade, já que irá cobrar juros módicos. Caso, no final, a Grécia acabe defaultando, a Tróica tomaria o prejú. (E se ela não defaultar, o preço estava justo)

Assim como a LTRO, será uma forma elegante para fazer os alemães fingirem que estão sendo enganados.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Investimento nos EUA


A divulgação do PIB lá na matriz mais uma vez mostrou uma taxa de investimento porcaria (figura). Meu chute pessoal é que depois deles caírem no cliff esse investimento volta. Mas decidi imaginar a possibilidade de que será assim para sempre. Seria possível? Não vai faltar capital? A economia não ficaria desbalanceada, contradizendo alguma lei econômica qualquer?
Minha resposta é que essa taxa de investimento é consistente com um novo nível de crescimento potencial. Imaginando que o fator trabalho também está reduzido (a história de jobless recovery), que as preferências não mudaram (mesma impaciência), e nem a tecnologia (cobb-douglas com mesmo capital share), a relação capital produto deveria ficar constante.
Assumindo depreciação de 4% e que o crescimento potencial era 2,8% quando a taxa de investimento era 17%, posso recalcular tudo agora que a taxa de investimento é 14%, supostamente. Resultado: o novo crescimento potencial seria de 1,6%.