quinta-feira, 4 de outubro de 2012

OMT e mercado primário: o retorno


Eu e outros economistinhas estamos confusos com a possibilidade do OMT ajudar países como Portugal, que estão ganhando acesso ao mercado. Primeiro eu achei irrelevante o assunto, porque o mercado primário iria reagir a promessa do BCE comprar no secundário, e iria abrir automaticamente. Mas agora o Draghi veio com o papo que o “OMT não é um substituto para o acesso ao mercado primário”, sugerindo que ele só vai ajudar depois de um bom tempo do mercado primário estar funcionando. Não entendo como ele vai definir o que é acesso ao mercado primário, se ele for muito rigoroso o OMT se torna inútil.

Não há prova de envolvimento do Hitler no holocausto

Mais uma notícia que temos que comentar aqui no ACTL EM.

O Coringa diz que não há provas de envolvimento do Darth Vader no mensalão, contrariando a visão do Batman.

Pensando bem, ele tem toda razão.

Creio que não existe nenhuma ata, ou gravação que prove de forma cabal as maracutaias. Como in dubio pro reu, inocente-se o Darth.

Parênteses: a existência de foto/vídeo provavelmente não alteraria a opinião do Coringa. Recentemente a casa do povo inocentou uma deputada que foi flagrada recebendo uma graninha. Se rola lá, why not? 

Vejam aqui que tem gente que argumenta que o holocausto não ocorreu porque não existe uma ordem escrita para a política de genocídio. Será que o Coringa, advogado justo que é, não inocentaria o Hitler também?

Péralá.

O julgamento do mensalão é importante porque está na hora de definirmos aqui na republiqueta a linha que divide o que é uma dúvida razoável do que é uma dúvida não razoável para crimes do colarinho branco, certo?

O Retorno de "FK, o Retorno"

Comemorei neste post o que seria o retorno do FK ao ACTL EM.

Para quem ainda não sabe, o FK costumava produzir 60 litros diários de sabedoria com facilidade.

Talvez a época das vacas gordas esteja chegando ao fim. Vejam foto recente do FK em uma defesa de tese lá na FEA.

Colapso do preço de commodities?

Sempre que acordo otimista demais dou uma olhada no blog do Michael Pettis.

Além de ajudar a baixar a bola o garoto supostamente entende daquilo que ninguém mais entende: China. O blog é muito bom para saber o que está rolando lá desde que se leve em conta que a pegada dele é sinistramente pessimista. Ninguém pode acusar o Pettis de inconsistência. Desde 2007 não há um post sequer que não seja dedicado a ver o lado escuro de tudo

Neste longo post ele prevê que os preços de commodities despencarão até 2015. A tese é baseada em três argumentos:

1. Defasagens grandes da resposta da oferta ao estímulo de demanda de vários anos atrás: se entendi direito tem mina abrindo hoje que só faria sentido com preços bem mais altos;

2. O crescimento chinês vai diminuir e vai mudar de composição, penalizando o consumo de metais;

3. A china vem acumulando estoques de metais há anos e, segundo ele, vai se transformar em vendedora líquida de metais.

Previsões do tipo radical - que o Pettis, Roubini e etc curtem- costumam ser piores do que a média. Quem as leva a sério costuma se dar mal.

O Roubini começou a prever o colapso vários anos antes dele ocorrer (e colocava ênfase no "desbalanceamento" entre EUA e China e não na questão do subprime, que realmente foi a que pegou). Quem acreditou logo de cara provavelmente quebrou antes de ver a aposta dar certo.

Este fato está bem documentado em um livro (já antigo) e imperdível do Philip Tetlock, com excelente revisão feita pelo New Yorker - não deixem de ler.


Com relação aos preços de metais, se a premissa de que a China deverá crescer no futuro bem menos do que os 5%-7% que a maioria espera estiver correta, é bem possível que ocorra um colapso mesmo. Outra razão que ele não cita é o fato de que o dólar provavelmente vai ganhar força no futuro, deprimindo os preços em dólares.

Agora, olhando para o curto prazo - onde a vista alcança um pouco mais - esta montanha de liquidez e uma retomada (mesmo que cíclica) da China após a transição deverá dar um belo gás na inflação de commodities metálicas no ano que vem.

Relançamento do Blog

Como é praxe, eu não pedi autorização ou aprovação dos outros liberais. Com esse novo título eu me sentirei mais animado a postar minhas ideias profundas sobre a economia brasileira e internacional, sem dar crédito aos autores originais. Vou aproveitar e estrear com a seguinte:
A melhora da difusão da indústria sugere que a economia brasileira está mesmo se recuperando.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Frase em um email do Sr. Antonio Madeira

Recebi um email de um amigo chamado Antonio Madeira. Ele é um sujeito bem conservador. Não sei se a frase é dele, ou se ele leu na sua segunda bíblia, o FT. Aí vai:

"Not all germans believe in God, but all of them believe in the Bundesbank"

terça-feira, 2 de outubro de 2012

catador de lata

as pessoas pagam impostos para as prefeituras arranjarem um sistema de coleta de lixos, mas são raros os casos em que se paga mais de acordo com o volume de lixo gerado. resulta daí, desse custo marginal zero, que se produz muito lixo. e tem uns lixos que geram mais externalidades negativas do que outros. garrafa de refrigerante, feita de plástico, é um lixo que agride mais a natureza e dá mais trabalho para lidar que casca de banana. a coisa de reciclar ajuda bem a lidar com o problema da garrafa plástica ou latas de cerveja, mas se eu não tenho benefício privado de fazer isso, por quê me dar ao trabalho? se eu for "consciente", eu faço pelo bem-estar dos outros, mas a regra geral que rege nosso padrão de comportamento é que olhamos mais para nossos umbigos; e reciclar é meio trabalhoso. como atenuar esse problema? pode dar um subsidío para quem recicla, mas essa coisa é meio difícil de observar e, mais importante, prover subsídio implica ou aumentar imposto em algum lugar, ou gastar menos com outra coisa (educação, saúde). pode meter um imposto punitivo nas latas e garrafas plásticas. com isso, diminuirá o número de produtos vendidos nesse tipo de recipiente, é verdade, mas por outro lado, uma vez pago o custo na hora da compra do produto, eu não tenho mais nenhum incentivo ex-post a reciclar...a melhor solução me parece ser taxar o produto vendido em garrafas plásticas e latinhas pesadamente, e depois rebater parte desse imposto em um centro reciclador onde as pessoas levariam latas e garrafas plásticas para receber uma grana de volta. aí sim se geraria incentivos ex-post a reciclar, e o Estado não gastaria liquidamente nada (o subsídio na hora da devolução da lata é pago via imposto mais alto na hora da compra da lata).

em países pobres, curiosamente, isso tudo é menos um problema. por um motivo ruim, mas não deixa de ser verdade que políticas públicas incentivando reciclagem sejam menos prementes nesses países. em locais pobres, têm mais catadores de lixo para resolver, "via mercado", o problema. isso porque mesmo a renda baixíssima dessa tarefa acaba atraindo um considerável número de pessoas sem outras opções de trabalho. se você, leitor, pertence aquele grupo dos "políticamente corretos", você está fulo da vida com isso. mas eu não estou nem aí. o politicamente correto é chato demais, e muitas vezes é burro também.