Pep Guardiola, ex-jogador de futebol e até poucos dias atrás técnico do temível Barcelona, poderia ter escolhido outra profissão. Descobri que Guardiola é grande conhecedor e estudioso de literatura. Um dos meus escritores atuais favoritos, o espanhol Enrique Vila-Mattas, amante de futebol, conta que sua primeira conversa com Guardiola foi só sobre literatura, "de Ulisses (obra-prima de Joyce) para cima". Não tem muita coisa mais difícil que Ulisses, o que sinaliza a habilidade intelecto-literária do ex-técnico.
Ainda assim, Guardiola escolheu ser técnico. Provavelmente ele seria melhor crítico literário que muitos que exercem hoje essa profissão. Mas como nos ensinou David Ricardo, o que importa para entendermos especialização são as vantagens comparativas relativas, não as absolutas.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Comprando Breakeven 2014
Apesar do que o CESG disse, a inflação breakeven até agosto
de 2014 continua parada. (Na figura, a parte de baixo mostra a diferença entre
os juros nominais e reais, que aparecem na parte de cima). Fazendo a conta
direitinho, dá uma inflação de 5,4% daqui até lá. Estou comprando essa
inflação.
Eu sou muito mais experto que FK+CT
O governo tinha falado na ata do Copom do mês passado que a Selic ia parar em 9%. Sim, falou isso sim. Mas eu não acreditei. Agora ele mexeu na poupança para a Selic poder cair mais ainda. Para quanto? Sei lá, 8% talvez. Com BB e CEF reduzindo spreads, Selic a 8% e BNDE capitalizadíssimo para emprestar para os empresários ricos gastarem, só uma crise mundial nos livra de inflação de 6% em 2013. Eu, que sou bem mais esperto que o FK e o CT juntos, já tinha comprado NTN-B no Tesouro Direto e me dei bem.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Evaporando a dívida dos EUA
Na primeira figura a dívida sobre PIB do EUA no pós-guerra.
Entre 1947 e 1957 ela caiu de 122% para 59%. Na segunda figura o crescimento do
PIB, o superávit, os juros implícitos sobre a dívida e a inflação no período.
Os valores médios: crescimento do PIB = 3,5%; inflação = 2,6%; juros nominais =
1,8; superávit = 1,9%.
Pegando o PIB desde 1800 e passando um filtro eu cheguei que
o PIB potencial nessa época estava próximo de 3,5%, nada surpreendente. Daí,
por conveniência, eu defini os três componentes de redução da dívida/PIB como:
(i) superávit primário, (ii) crescimento acima de 3,5%, e (iii) juros reais
abaixo de 3,5%. Esses estão na terceira figura.
A conclusão é que o crescimento não ajudou nada (já que ele
foi igual ao potencial). O superávit foi responsável por um terço da redução da
dívida/PIB. O que realmente fez a dívida desaparecer (os outros dois terços) foi o juro real negativo.
Requerimento de capital NÃO eleva custo dos empréstimos, esclarecimentos
Como o tema não é muito comumente debatido, e várias pessoas me procuraram com dúvidas, resolvi passar a bibliografia básica aqui: https://gsbapps.stanford.edu/researchpapers/library/RP2065R1&86.pdf
Boa leitura
Boa leitura
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Where's Wally?
No Valor de hoje encontre o endereço d’O Consciência. Eu já tinha
desistido, quando o Antoninho deu a dica de ir do fim para o começo. Depois
dessa imensa exposição deixaremos de ter as usuais oito mil visitas por semana,
e alcançaremos o Paulo.
Requerimento de capital NÃO eleva custo dos empréstimos
Muita gente faz a confusão entre compulsório e requerimento de capital na hora de falar de medidas macro prudenciais, mas como diria o conselheiro Acácio, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
Requerimento de compulsório age do lado dos ATIVOS do banco. Estes não podem emprestar uma dada parcela da grana captada, a qual fica retida por determinação do regulador. A capacidade de adquirir ATIVOS dos bancos é então limitada pelo compulsório. Dado que bancos estão nesse business complicado de transformar maturidades (depósitos são dívida à vista para os bancos e seus ativos são de mais longa maturação) é importante ter o compulsório para evitar pânico nas pessoas, para que elas se sintam seguras que conseguirão sacar seus recursos quando quiserem. Mas é importante não abusar. No Brasil o compulsório é altíssimo. E isso encarece o crédito, óbvio.
Requerimento de capital age no lado do PASSIVO dos bancos, e ao contrário do que se diz, não limita necessariamente a capacidade dos bancos de emprestar, apenas reordena a natureza de suas fontes de financiamento. Eu defendo que esse requerimento seja muito elevado no mundo todo, mais ainda que o que sugere a Basileia III. Com mais capital próprio no lugar de dívida, os bancos "internalizariam" mais o risco de suas decisões, pois em caso de perda quem sofre é o acionista do próprio banco, e esse perde se o banco se mete em encrenca (os governos tendem a proteger mais o depositante que o acionista). Legal, afeta incentivos na direção que queremos. Mas faz ainda mais do que isso: se todos os bancos têm mais capital, comparativamente à situação onde os bancos se financiam pesadamente através de emissão de dívida, o risco sistêmico cai porque o contrato de dívida é rígido, não contingente, obriga ao pagamento mesmo em tempos ruins, enquanto o pagamento de dividendos é contingente por definição: em épocas de vacas magras não se distribui dividendos e isso não aciona mecanismos custosos de bancarrota!
Encarece o crédito? No médio prazo NÃO, pois ao reduzir o risco sistêmico, mais capital em termos agregados barateia o custo de captação dos bancos até na parte que ocorre via emissão de dívida não-contingente. Mas o lucro dos bancos não decai? NÃO, em média, NÃO. Ele é menor em tempos bons, mas é maior em tempos ruins. Com dívida sobrerepresentada na estrutura do passivo, o lucro é exuberante em tempos bons pois todo o upside fica para o banco, mas nos tempos ruins....não preciso explicar essa parte...
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